A perfeição é algo que todos sabemos o que é – sabemos, como quem diz – mas nunca ninguém presenciou. Diz-se que é impossível atingi-la, que nada nem ninguém é nem pode ser, jamais, perfeito. Sendo assim, pergunto-me o que isto foi. Se não foi um estado (quase) absoluto de uma perfeição, efémera apenas pela restrição temporal, foi o quê?
A perfeição não existe? Permitam-me discordar. Podemos moldar a ideia de perfeição como podemos moldar as palavras que nós próprios criámos. E digo moldar essa ideia, esse conceito formado por alguém, pois não é um simples grão de areia que altera a imensidão do mar do deserto. Obviamente que ele tem a sua importância: se cada simples grão fosse excluído, deixaria de haver deserto. No entanto, a questão é o quão importante é relativamente ao todo e não a sua importância singular. É verdade. Os momentos menos bons, se é que existem, não têm a mínima hipótese, são completamente esmagados em pó, levado pelas suaves ventanias.
Sim, isto é perfeito. É um mundo à parte. Tão à parte que a única conexão com o mundo exterior é mesmo a desprezável existência de tecnologia. Tão à parte que só nós o compreendemos.
É o meu habitat natural. Afinal, pergunto-me se, durante cerca de dez meses apenas sobrevivo ou se simplesmente intervalo da vida. Porque se vivo durante o ano lectivo, o que faço eu agora?
E ainda há quem diga que o Paraíso não existe. Lamento desiludir os cépticos, mas o Paraíso existe. Eu estive lá. Nós estivemos lá. Como sempre.
Porque lá, voar sobre o arco-íris, lá no alto, até parece fácil.