8.31.2007

O paraíso existe

A perfeição é algo que todos sabemos o que é – sabemos, como quem diz – mas nunca ninguém presenciou. Diz-se que é impossível atingi-la, que nada nem ninguém é nem pode ser, jamais, perfeito. Sendo assim, pergunto-me o que isto foi. Se não foi um estado (quase) absoluto de uma perfeição, efémera apenas pela restrição temporal, foi o quê?

A perfeição não existe? Permitam-me discordar. Podemos moldar a ideia de perfeição como podemos moldar as palavras que nós próprios criámos. E digo moldar essa ideia, esse conceito formado por alguém, pois não é um simples grão de areia que altera a imensidão do mar do deserto. Obviamente que ele tem a sua importância: se cada simples grão fosse excluído, deixaria de haver deserto. No entanto, a questão é o quão importante é relativamente ao todo e não a sua importância singular. É verdade. Os momentos menos bons, se é que existem, não têm a mínima hipótese, são completamente esmagados em pó, levado pelas suaves ventanias.

Sim, isto é perfeito. É um mundo à parte. Tão à parte que a única conexão com o mundo exterior é mesmo a desprezável existência de tecnologia. Tão à parte que só nós o compreendemos.

É o meu habitat natural. Afinal, pergunto-me se, durante cerca de dez meses apenas sobrevivo ou se simplesmente intervalo da vida. Porque se vivo durante o ano lectivo, o que faço eu agora?

E ainda há quem diga que o Paraíso não existe. Lamento desiludir os cépticos, mas o Paraíso existe. Eu estive lá. Nós estivemos lá. Como sempre.

Porque, voar sobre o arco-íris, lá no alto, até parece fácil.


8.27.2007

Trago-te em mim

Gosto de pensar que sou a areia que espera, sempre, paciente pelo mar, tu. Que, quando chegas, não só me tocas ao de leve - ou por vezes com um bocadinho mais de força, agressivo, as ondas a rebentarem de saudade sobre mim - mas também me envolves completamente em ti. Não nos enlaçamos um no outro. Não somos dois. Sou eu em ti, tu em mim. Nós. Não dá para perceber onde eu acabo e tu começas. Afinal, eu sou o teu começo e tu o meu infinito. E, mesmo lá longe, onde o céu te aconchega ao de leve, seremos sempre, sempre nós. Porque é tão ridículo separar-me de ti como separar o mar da areia.







(A modos que voltei. Só para deixar aqui um bocadinho de Paraíso que trouxe no bolso.)