“Gosto de ti. Gosto de te ter sem seres meu. Gosto de saber que o teu olhar me abraça a mim e só a mim. Gosto de sentir o calor do teu silêncio. Gosto das metáforas ilusórias. Gosto que sejas o doce depois do algodão, the tale after my fairy. Sim, gosto de ti, tanto. E tu?” Escreveu ela, para ele. Ele, claro, não viu, ela não lhe mostrou. Estupidez? Não, mais forte ainda: vergonha, receio. Receio que ele não fosse tão seu quanto pensava, que o abraço fosse, afinal de contas, um aperto, que o calor fosse artificial, que as metáforas fossem mesmo mais do que ilusões - mentiras, que o doce fosse amargo e o algodão, pedra (inquebrável). Este receio, torturante. Sufocante. Os nós dos dedos subiam-lhe à garganta quando pensava nisto (resumindo, tinha os dedos a ocuparem o espaço da garganta a maior parte do tempo, o que não era, de todo, agradável). Dizia-se forte, dizia-lhe que era forte, mas não era. Por isso era preciso tanto cuidado com ela.
8 comentários:
"...vergonha, receio."
Ou talvez insegurança? Tal como a fada Sininho tinha em relação ao Peter Pan?
Beijinhos
sim, sim, isso mesmo! aliás, tudo isso. vergonha, receio e insegurança. ela tem a "sorte" de todos esses sentimentos se querem apegar tanto a ela que se misturam nela.
(gostei mesmo dessa comparação. ^^)
não lhe chamo nem vergonha nem receio.
No meu caso, há um pavor enorme de que a pessoa a quem dirijo as minhas palavras simplesmente ache que não é nada de especial.
E este "não achar nada de especial" é pior do que parece. Não é só não gostar de palavras enfileiradas umas atrás das outras- é não gostar da única maneira que temos de demonstrar como as coisas (eu usei a palavra coisas de propósito) se vão passando dentro da caixa torácica.
gostei deste mel joana^^
Joana, ainda bem que gostaste da comparação. Como seria de esperar não foi feita por acaso. Nada é... ;)
E para a "SA" apenas tenho a dizer que sei exactamente o que sentes. Pior do que não sermos ouvidos é não sermos compreendidos... especialmente pelas pessoas que realmente interessam.
Beijos.
E se não houver ninguém para quem escrever?
Enche o peito de ar e dispara.
Ha tanta gente como ela *
A
Revejo-me no teu texto! :$
Beijinho,
Rita
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