IV
Todos os dias acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei-de fazer das minhas sensações,
Não sei o que hei-de ser comigo.
Quero que ela me diga qualquer coisa para acordar de novo.
Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém.
VI
Passei toda a noite, sem saber dormir, vendo sem espaço a figura dela
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desenho encontrá-la,
Quase prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
E prefiro pensar dela, porque dela como é tenho qualquer medo.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.
O Pastor Amoroso, Alberto Caeiro
P.S.- Tenho um buraco naquela coisa chamada alma, que chega até à cabeça. Por isso, antes ler outros.
5 comentários:
Não me oponho. Mas, para isto, basta ir à biblioteca ou, simplesmente, até à estante do quarto (que felizmente está cheia de coisas boas).
Escreve sobre o tal buraco, pode ser que alivie. Não custa tentar, hem?
Vá lá Ju, os brócolos não são assim tão maus... ^^
Adoro-te
Isto está diferente...
Gosto.
Gosto sim senhora!
*
YEH.
Está mesmo fixe.
Adoro Alberto Caeiro! :D
Acho-o tao perfeito i natral i fiqei feliz por o teres por cá :)
natural*
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